Effect Sizes

Uma introdução prática tamanho de Efeitos para metanálise em R.

Combinando Tamanhos de Efeito

Tutorial sobre modelos de efeitos em R

1. Juntando Tamanhos de Efeito

Na estatística, um modelo funciona como uma “teoria” ou uma “imitação da vida”, utilizando fórmulas matemáticas para descrever processos do mundo real de forma idealizada. No contexto da metanálise, o modelo visa iluminar a “caixa-preta” que gera nossos dados, explicando os mecanismos pelos quais os tamanhos de efeito observados foram produzidos. O objetivo central é encontrar uma representação matemática que explique como podemos encontrar o efeito real subjacente a todos os estudos, mesmo quando os resultados individuais variam entre si. Assim, a especificação do modelo é o que permite interpretar as razões pelas quais os resultados dos estudos diferem e como eles podem ser combinados em um valor numérico único. E existem duas formas de integração que serão abordadas a seguir: o modelo de efeitos fixos e o modelo de efeitos aleatórios.

1.1. Modelo de Efeitos Fixos

O modelo de efeito fixo assume que todos os tamanhos de efeito provêm de uma única população homogênea, o que significa que todos os estudos compartilham o mesmo tamanho de efeito verdadeiro, denotado por \(\theta\). De acordo com este modelo, a única razão pela qual o efeito observado de um estudo (\(\hat{\theta}_k\)) desvia do valor real é o erro de amostragem (\(\epsilon_k\)), que ocorre porque cada estudo extrai apenas uma pequena amostra de uma população infinita. A relação matemática que descreve este processo é:

\[\hat{\theta}_k = \theta + \epsilon_k\]

Na figura a seguir são demostrados três estudos que tentaram medir um fenômeno de \(\theta = 0.6\). Porém, nenhum deles atingiu exatamente esse tamanho de efeito. No modelo de efeitos fixos acredita-se que isso é causado unicamente por erro da amostragem. Assim, o efeito verdadeiro de cada estudo é necessariamente igual ao efeito verdadeiro sumarizado!

Demonstração que em um modelo de efeitos fixos existe um tamanho de de efeito verdadeiro da população que acredita-se ser o mesmo para todos os estudos. Porém, devido ao erro amostral os estudos diferem desse tamanho amostral constante.

Figure 1: Demonstração que em um modelo de efeitos fixos existe um tamanho de de efeito verdadeiro da população que acredita-se ser o mesmo para todos os estudos. Porém, devido ao erro amostral os estudos diferem desse tamanho amostral constante.

Neste cenário, estudos com amostras maiores possuem erros de amostragem menores e, portanto, maior precisão. Isso é representado por estudos que possuem uma curva normal de efeitos possíveis mais estreitas (curva do meio na figura 2). Para estudos com amostras menores, existe uma precisão menor de determinar o tamanho de efeito verdadeiro e isso é demostrado como uma curva normal mais larga.

Essa precisão (erro padrão) é de extrema importância para metanálise. Isso porque a precisão de cada estudo atribui a ele um peso específico, calculado pelo inverso da variância. Esse peso define o quão influente cada estudo será na análise final, garantindo que estimativas com menor erro de amostragem tenham um impacto proporcionalmente maior no resultado combinado. Matematicamente, isto é expresso através do cálculo do Peso Individual (\(W_i\)), que é o inverso da variância do estudo (\(V_{Y_i}\)):

\[W_{i} = \frac{1}{V_{Y_{i}}}\]

Uma vez determinados os pesos, a Síntese dos Efeitos (\(M\)), também conhecida como média ponderada, é calculada pela soma dos produtos de cada efeito individual pelo seu peso, dividida pela soma total dos pesos:

\[M = \frac{\sum_{i=1}^{k} W_{i} Y_{i}}{\sum_{i=1}^{k} W_{i}}\]

Nesta fórmula, \(Y_i\) representa o tamanho do efeito observado no estudo \(i\), e \(k\) é o número total de estudos incluídos na metanálise. Esta abordagem garante que estudos com maior precisão (menor erro padrão) tenham um peso matematicamente superior na estimativa global.

Cada estudo tem um erro padrão diferente. Estudos com erros padrões maiores possuem curvas mais largas, mostrando que existe uma possibilidade maior de tamanho de efeitos observáveis. Estudos com erros padrões menores possuem curvas mais estreitas, mostrando que existem menos possibilidades de tamanho de efeitos observáveis.

Figure 2: Cada estudo tem um erro padrão diferente. Estudos com erros padrões maiores possuem curvas mais largas, mostrando que existe uma possibilidade maior de tamanho de efeitos observáveis. Estudos com erros padrões menores possuem curvas mais estreitas, mostrando que existem menos possibilidades de tamanho de efeitos observáveis.

1.2. Modelo de Efeitos Aleatórios

Diferente do anterior, o modelo de efeitos aleatórios reconhece que os estudos raramente são perfeitamente homogêneos, pois podem variar em termos de composição amostral, intensidade da intervenção ou métodos de medição. Por exemplo, uma metanálise da eficácia de antidepressivos pode encontrar estudos com foco em idosos hospitalizados enquanto outro avalia adultos jovens ambulatoriais. Os estudos podem utilizar também dosagens distintas do medicamento ou até e escalas de avaliação variadas, como a de Hamilton ou a de Beck. Nesse cenário, fica claro que os estudos não estão medindo um efeito único, pois ou a população é diferente ou a intervenção é diferente. A solução é o modelo de efeitos aleatórios! Este modelo assume que existe uma distribuição de efeitos reais, e o objetivo da metanálise passa a ser a estimativa da média (\(\mu\)) dessa distribuição.

A variabilidade entre os tamanhos de efeitos reais é representada pelo parâmetro \(\tau^2\) (tau-quadrado). Na figura a seguir estão mostrados três estudos conduzidos que apresentam três tamanhos de efeitos reais diferentes. Essa largura do efeito possível na curva normal é o que é chamado de \(\tau^2\). Por exemplo, curva mais estreita apresenta menos efeitos reais possíveis e assim um \(\tau^2\) menor.

Em um modelo de efeitos aleatórios existe uma ampla possibilidade de tamanho de efeito real para cada estudo. Aqui são demonstrados 3 estudos com seus respectivos valores reais de tamanho de efeito. A média dos tamanhos de efeito verdadeiros não necessariamente coincide com o de cada estudo.

Figure 3: Em um modelo de efeitos aleatórios existe uma ampla possibilidade de tamanho de efeito real para cada estudo. Aqui são demonstrados 3 estudos com seus respectivos valores reais de tamanho de efeito. A média dos tamanhos de efeito verdadeiros não necessariamente coincide com o de cada estudo.

Porém, assim como no modelo de efeitos fixos, existe o erro amostral. Então, o valor observado de um estudo desvia da média global devido a dois componentes de erro: o desvio do estudo em relação à média da distribuição (\(\zeta_k\)) e o erro de amostragem individual (\(\epsilon_k\)). A fórmula que expressa esta hierarquia é:

\[\hat{\theta}_k = \mu + \zeta_k + \epsilon_k\]

Cada estudo mede um tamanho de efeito, que não é igual ao tamanho de efeito verdadeiro para esse estudo. Além disso, esse tamanho de efeito verdadeiro do estudo não necessariamente coincide com a gama de possibilidades de efeitos verdadeiros.

Figure 4: Cada estudo mede um tamanho de efeito, que não é igual ao tamanho de efeito verdadeiro para esse estudo. Além disso, esse tamanho de efeito verdadeiro do estudo não necessariamente coincide com a gama de possibilidades de efeitos verdadeiros.

Agora juntando todos os conceitos percebemos que esse modelo funciona como a figura 3. Cada estudo tem sua precisão de um efeito real ligeiramente diferente 😊

Unindo as duas noções vemos o cenário completo.

Figure 5: Unindo as duas noções vemos o cenário completo.

Para estimar o efeito sumarizado no modelo de efeitos aleatórios, o desafio central reside na necessidade de contabilizar o erro \(\zeta_k\), o que exige a estimativa da variância da distribuição dos efeitos reais, parâmetro conhecido como \(\tau^2\). Uma vez que o valor de \(\tau^2\) é determinado, a heterogeneidade entre os estudos é incorporada ao cálculo do peso de cada observação, gerando um peso ajustado de efeitos randômicos (\(w^*_k\)) definido pela fórmula:

\[w^*_k = \frac{1}{s^2_k + \tau^2}\]

Com esses pesos ajustados, o tamanho do efeito sumarizado (\(\hat{\theta}\)) é calculado através do método do inverso da variância, de forma análoga ao modelo de efeito fixo, mas utilizando a nova ponderação que considera tanto o erro de amostragem individual quanto a variabilidade entre os estudos:

\[\hat{\theta} = \frac{\sum_{k=1}^{K} \hat{\theta}_k w^*_k}{\sum_{k=1}^{K} w^*_k}\]

Essa abordagem garante que a estimativa final reflita não apenas a precisão interna de cada estudo, mas também a dispersão real existente no “universo” de populações analisadas.

Este modelo é amplamente preferido em pesquisas médicas e sociais, pois assume a existência de heterogeneidade entre os estudos como uma representação mais fiel da realidade. E é por isso que nesse tutorial vamos detalhar como implementar ele em R.


2. Construindo Modelos de Efeitos Aleatórios

Para isso vamos utilizar dois pacotes principais: meta e dmetar. Eles podem ser instalados com o seguinte código:

install.packages("meta")

if (!require("remotes")) {
  install.packages("remotes")
}

remotes::install_github("MathiasHarrer/dmetar")

2.1. Médias Simples - metamean

Para este exemplo, utilizaremos o dataset BdiScores. Ele contém a pontuação média do Inventário de Depressão de Beck II (BDI-II), coletada em amostras de pacientes deprimidos que participaram de ensaios clínicos de psicoterapia e antidepressivos. Nosso objetivo é calcular a pontuação média global de depressão entre todos esses estudos.

A função metamean utiliza o método genérico do inverso da variância para agrupar os dados. Antes de rodar o modelo, precisamos decidir sobre a transformação:

Os argumentos essenciais são o tamanho da amostra (n), a média (mean) e o desvio padrão (sd). Além disso, vamos fazer um ajuste no intervalo de confiança através do método Knapp-Hartung pelo argumento method.random.ci = "HK".

library(dmetar)
library(meta)
library(tidyverse)

# Carregar os dados
data(BdiScores)

# Executar a metanálise de médias
m.mean <- metamean(n = n, 
                   mean = mean, 
                   sd = sd, 
                   studlab = author, 
                   data = BdiScores, 
                   sm = "MRAW",        # Médias não transformadas
                   common = FALSE,     
                   random = TRUE, 
                   method.tau = "REML", 
                   method.random.ci = "HK", 
                   title = "BDI-II Scores")

# Ver o resumo dos resultados
summary(m.mean)
Review:     BDI-II Scores

                    mean             95%-CI %W(random)
DeRubeis, 2005   32.6000 [31.2268; 33.9732]       18.0
Dimidjian, 2006  31.9000 [30.6955; 33.1045]       19.4
Dozois, 2009     28.6000 [25.7993; 31.4007]        9.1
Lesperance, 2007 30.3000 [28.8033; 31.7967]       17.0
McBride, 2007    31.9000 [30.8607; 32.9393]       20.7
Quilty, 2014     29.8000 [28.1472; 31.4528]       15.8

Number of studies: k = 6
Number of observations: o = 920

                        mean             95%-CI
Random effects model 31.1221 [29.6656; 32.5786]

Quantifying heterogeneity (with 95%-CIs):
 tau^2 = 1.0937 [0.0603; 12.9913]; tau = 1.0458 [0.2456; 3.6043]
 I^2 = 64.3% [13.8%; 85.2%]; H = 1.67 [1.08; 2.60]

Test of heterogeneity:
     Q d.f. p-value
 14.00    5  0.0156

Details of meta-analysis methods:
- Inverse variance method
- Restricted maximum-likelihood estimator for tau^2
- Q-Profile method for confidence interval of tau^2 and tau
- Calculation of I^2 based on Q
- Hartung-Knapp adjustment for random effects model (df = 5)
- Untransformed (raw) means

Ao analisar o sumário da função, chegamos às seguintes conclusões clínicas:

2.2. Diferença de Médias Padronizadas - metacont

Com médias e desvios padrão de dois grupos, utilizamos a função metacont. Ela é versátil e serve tanto para Diferenças de Médias (MD) quanto para Diferenças de Médias Padronizadas (SMD). Essa função tem dezenas de argumentos possíveis de serem personalizados, mas aqui nesse tutorial vamos falar apenas de alguns deles mais essenciais:

Utilizaremos o dataset SuicidePrevention Como os estudos não são idênticos, a escolha do modelo de efeitos aleatórios é a mais adequada.

# Carregar os pacotes necessários
library(meta)
library(dmetar)

# Carregar o banco de dados
data(SuicidePrevention)

# Executar a metanálise com metacont
m.cont <- metacont(n.e = n.e, 
                   mean.e = mean.e, 
                   sd.e = sd.e, 
                   n.c = n.c, 
                   mean.c = mean.c, 
                   sd.c = sd.c, 
                   studlab = author, 
                   data = SuicidePrevention, 
                   sm = "SMD", 
                   method.smd = "Hedges", 
                   common = FALSE,      # Desativa efeito fixo
                   random = TRUE,      # Ativa efeitos randômicos
                   method.tau = "REML", 
                   title = "Suicide Prevention")

# Visualizar os resultados
summary(m.cont)
Review:     Suicide Prevention

                    SMD             95%-CI %W(random)
Berry et al.    -0.1428 [-0.4315;  0.1459]       15.6
DeVries et al.  -0.6077 [-0.9402; -0.2752]       12.3
Fleming et al.  -0.1112 [-0.6177;  0.3953]        5.7
Hunt & Burke    -0.1270 [-0.4725;  0.2185]       11.5
McCarthy et al. -0.3925 [-0.7884;  0.0034]        9.0
Meijer et al.   -0.2676 [-0.5331; -0.0021]       17.9
Rivera et al.    0.0124 [-0.3454;  0.3703]       10.8
Watkins et al.  -0.2448 [-0.6848;  0.1952]        7.4
Zaytsev et al.  -0.1265 [-0.5062;  0.2533]        9.7

Number of studies: k = 9
Number of observations: o = 1147 (o.e = 571, o.c = 576)

                         SMD             95%-CI     z p-value
Random effects model -0.2304 [-0.3554; -0.1053] -3.61  0.0003

Quantifying heterogeneity (with 95%-CIs):
 tau^2 = 0.0044 [0.0000; 0.0924]; tau = 0.0661 [0.0000; 0.3040]
 I^2 = 7.4% [0.0%; 67.4%]; H = 1.04 [1.00; 1.75]

Test of heterogeneity:
    Q d.f. p-value
 8.64    8  0.3738

Details of meta-analysis methods:
- Inverse variance method
- Restricted maximum-likelihood estimator for tau^2
- Q-Profile method for confidence interval of tau^2 and tau
- Calculation of I^2 based on Q
- Hedges' g (bias corrected standardised mean difference;
  using exact formulae)

Ao olhar para o output do R, focamos nos seguintes pontos principais:

2.3. Dados Binários (metabin)

Para este exemplo, utilizaremos o dataset DepressionMortality, baseado em uma metanálise de Cuijpers e Smit (2002). O estudo investigou se o diagnóstico de depressão aumenta o risco de mortalidade por todas as causas. O banco de dados contém o número de eventos (mortes) e o total de participantes em ambos os grupos. Embora o método do inverso da variância seja o padrão, ele pode ser subótimo quando os dados são esparsos (poucos eventos ou amostras pequenas). Por isso, existem alternativas para determinar os pesos em dados binários:

Além do número de eventos e tamanho amostral do grupo controle e tratado precisamos dos seguintes argumentos:

Nesta análise, calcularemos o Risco Relativo (RR) utilizando o modelo de efeitos randômicos. Aplicaremos o estimador de Paule-Mandel para \(\tau^2\) e o ajuste de Knapp-Hartung para maior precisão estatística.

library(dmetar)
library(meta)
library(tidyverse)

# Carregar os dados
data(DepressionMortality)

# Executar a metanálise para desfechos binários
m.bin <- metabin(event.e = event.e,        # Mortes no grupo com depressão
                 n.e = n.e,                # Total no grupo com depressão
                 event.c = event.c,        # Mortes no grupo controle
                 n.c = n.c,                # Total no grupo controle
                 studlab = author, 
                 data = DepressionMortality, 
                 sm = "RR",                # Risco Relativo
                 method = "MH",            # Método Mantel-Haenszel
                 MH.exact = TRUE,          # Sem correção de continuidade
                 common = FALSE,           # Substitui 'fixed'
                 random = TRUE, 
                 method.tau = "PM",        # Estimador Paule-Mandel - recomendado para dados binários
                 method.random.ci = "HK",  # Ajuste Knapp-Hartung
                 title = "Depressão e Mortalidade")

# Ver o resumo dos resultados
summary(m.bin)
Review:     Depressão e Mortalidade

                          RR            95%-CI %W(random)
Aaroma et al., 1994   2.0998 [1.4128;  3.1208]        6.0
Black et al., 1998    1.7512 [1.3139;  2.3341]        6.6
Bruce et al., 1989    2.5183 [1.0785;  5.8802]        3.7
Bruce et al., 1994    1.1605 [0.8560;  1.5733]        6.5
Enzell et al., 1984   1.8285 [1.2853;  2.6014]        6.3
Fredman et al., 1989  0.3971 [0.0566;  2.7861]        1.2
Murphy et al., 1987   1.7640 [1.2644;  2.4610]        6.4
Penninx et al., 1999  1.4647 [0.9361;  2.2919]        5.8
Pulska et al., 1998   1.9436 [1.3441;  2.8107]        6.2
Roberts et al., 1990  2.3010 [1.9206;  2.7567]        7.0
Saz et al., 1999      2.1837 [1.5533;  3.0700]        6.3
Sharma et al., 1998   2.0500 [1.0744;  3.9114]        4.7
Takeida et al., 1997  6.9784 [4.1303; 11.7902]        5.3
Takeida et al., 1999  5.8124 [3.8816;  8.7035]        6.0
Thomas et al., 1992   1.3303 [0.7780;  2.2745]        5.3
Thomas et al., 1992   1.7722 [1.1073;  2.8363]        5.6
Weissman et al., 1986 1.2500 [0.6678;  2.3398]        4.8
Zheng et al., 1997    1.9803 [1.4001;  2.8011]        6.3

Number of studies: k = 18
Number of observations: o = 94770 (o.e = 4514, o.c = 90256)
Number of events: e = 5439

                         RR           95%-CI    t  p-value
Random effects model 2.0217 [1.5786; 2.5892] 6.00 < 0.0001

Quantifying heterogeneity (with 95%-CIs):
 tau^2 = 0.1865 [0.0739; 0.5568]; tau = 0.4319 [0.2718; 0.7462]
 I^2 = 77.2% [64.3%; 85.4%]; H = 2.09 [1.67; 2.62]

Test of heterogeneity:
     Q d.f.  p-value
 74.49   17 < 0.0001

Details of meta-analysis methods:
- Inverse variance method
- Paule-Mandel estimator for tau^2
- Q-Profile method for confidence interval of tau^2 and tau
- Calculation of I^2 based on Q
- Hartung-Knapp adjustment for random effects model (df = 17)

2.3. Dados de Correlação - metacor

Para este tutorial, utilizaremos o dataset HealthWellbeing, baseado em uma grande metanálise que examinou a associação entre saúde e bem-estar. O banco de dados contém o coeficiente de correlação (\(r\)) e o tamanho da amostra (\(n\)) de cada estudo.

Um ponto técnico fundamental é que correlações não devem ser agrupadas em sua forma original, pois sua distribuição é assimétrica (Tutorial anterior 😊). Elas precisam ser transformadas para o valor \(z\) de Fisher antes do pooling. A boa notícia é que a função metacor realiza essa transformação e a conversão de volta para \(r\) automaticamente. Você só precisa fornecer os valores originais.

Os argumentos principais são:

Como esperamos uma heterogeneidade considerável entre os estudos de bem-estar, utilizaremos o modelo de efeitos randômicos com o estimador REML e o ajuste de Knapp-Hartung.

library(dmetar)
library(meta)
library(tidyverse)

# Carregar os dados
data(HealthWellbeing)

# Executar a metanálise de correlações
m.cor <- metacor(cor = cor, 
                 n = n, 
                 studlab = author, 
                 data = HealthWellbeing, 
                 common = FALSE,    # Substitui 'fixed'
                 random = TRUE, 
                 method.tau = "REML", 
                 method.random.ci = "HK", 
                 title = "Saúde e Bem-Estar")

# Ver o resumo dos resultados
summary(m.cor)
Review:     Saúde e Bem-Estar

                       COR           95%-CI %W(random)
An, 2008            0.6200 [0.4964; 0.7189]        2.8
Angner, 2013        0.3720 [0.2823; 0.4552]        3.4
Barger, 2009        0.2900 [0.2870; 0.2930]        3.8
Doherty, 2013       0.3330 [0.2908; 0.3739]        3.7
Dubrovina, 2012     0.7300 [0.7255; 0.7344]        3.8
Fisher, 2010        0.4050 [0.2373; 0.5493]        2.8
Gana, 2013          0.2920 [0.2310; 0.3507]        3.6
Garrido, 2013       0.3880 [0.3300; 0.4430]        3.6
Goldbeck, 2001      0.3600 [0.1366; 0.5486]        2.4
Jacobsson, 2010     0.3080 [0.0732; 0.5104]        2.3
Kim, 2012           0.3500 [0.2352; 0.4551]        3.3
Koots-Ausmees, 2015 0.3400 [0.3367; 0.3432]        3.8
Kulczycka, 2010     0.4200 [0.2247; 0.5829]        2.5
Lacruz, 2012        0.1900 [0.1532; 0.2263]        3.7
Liang, 2014         0.4900 [0.4791; 0.5007]        3.8
Matthews, 2002      0.4700 [0.4059; 0.5295]        3.6
Mukuria, 2013       0.2940 [0.2794; 0.3085]        3.8
Mukuria, 2015       0.3900 [0.3697; 0.4100]        3.8
Ngamaba, 2016       0.4980 [0.4707; 0.5243]        3.8
Ngamaba, 2017       0.2900 [0.2838; 0.2961]        3.8
Patten, 2010        0.1600 [0.0354; 0.2797]        3.3
Sabatini, 2014      0.2200 [0.1537; 0.2843]        3.6
Takeyachi, 2003     0.2020 [0.1352; 0.2669]        3.6
Tuchtenhagen, 2015  0.2900 [0.2358; 0.3424]        3.7
Wang, 2002          0.3200 [0.1639; 0.4605]        2.9
Wang, 2015          0.3200 [0.2968; 0.3428]        3.8
Yildirim, 2013      0.3900 [0.3031; 0.4705]        3.4
Zajacova, 2014      0.2440 [0.2135; 0.2740]        3.8
Zagorski, 2013      0.3600 [0.3494; 0.3705]        3.8

Number of studies: k = 29
Number of observations: o = 853794

                        COR           95%-CI     t  p-value
Random effects model 0.3632 [0.3092; 0.4148] 12.81 < 0.0001

Quantifying heterogeneity (with 95%-CIs):
 tau^2 = 0.0241 [0.0141; 0.0436]; tau = 0.1554 [0.1186; 0.2088]
 I^2 = 99.8%; H = 24.14

Test of heterogeneity:
        Q d.f. p-value
 16320.87   28       0

Details of meta-analysis methods:
- Inverse variance method
- Restricted maximum-likelihood estimator for tau^2
- Q-Profile method for confidence interval of tau^2 and tau
- Calculation of I^2 based on Q
- Hartung-Knapp adjustment for random effects model (df = 28)
- Fisher's z transformation of correlations

Ao analisar o sumário, focamos nos seguintes indicadores:

2.4. Proporção - metaprop

Para este tutorial, utilizaremos o dataset OpioidMisuse, que examinou a prevalência de 12 meses do uso indevido de opioides prescritos entre adolescentes e jovens adultos nos EUA. O banco de dados contém o número de eventos (uso indevido) e o total de observações (n) de cada estudo.

Diferente de outras funções que usam o método do inverso da variância, a metaprop utiliza o GLMM por padrão quando as proporções são transformadas em logit (sm = "PLOGIT"). Essencialmente, a função ajusta um modelo de regressão logística que inclui efeitos aleatórios para lidar com a variação entre os estudos. Esta abordagem é frequentemente recomendada para metanálises de proporções por ser estatisticamente mais robusta. Porém, ela tem algumas especificidades:

Para configurar sua análise, os principais argumentos são:

library(dmetar)
library(meta)
library(tidyverse)

# Carregar os dados
data(OpioidMisuse)

# Executar a metanálise de proporções
m.prop <- metaprop(event = event, 
                   n = n, 
                   studlab = author, 
                   data = OpioidMisuse, 
                   method = "GLMM",    # Uso do modelo de efeitos mistos
                   sm = "PLOGIT",      # Transformação logito
                   common = FALSE,     # Antigo 'fixed'
                   random = TRUE, 
                   method.random.ci = "HK", 
                   title = "Uso Indevido de Opioides")

# Ver o resumo dos resultados
summary(m.prop)
Review:     Uso Indevido de Opioides

               proportion           95%-CI
Becker, 2008       0.1002 [0.0962; 0.1042]
Boyd, 2009         0.0998 [0.0811; 0.1211]
Boyd, 2007         0.1162 [0.0978; 0.1368]
Cerda, 2014        0.0710 [0.0654; 0.0770]
Fiellin, 2013      0.1176 [0.1150; 0.1204]
Jones, 2013        0.0945 [0.0928; 0.0962]
Lord, 2011         0.1632 [0.1327; 0.1976]
McCabe, 2005       0.0710 [0.0659; 0.0764]
McCabe, 2012       0.0748 [0.0700; 0.0798]
McCabe, 2013       0.0728 [0.0675; 0.0784]
Nakawai, 2012      0.0909 [0.0893; 0.0925]
Sung, 2005         0.0962 [0.0908; 0.1017]
Tetrault, 2007     0.1259 [0.1209; 0.1311]
Wu, 2008           0.0873 [0.0838; 0.0908]
Zullig, 2012       0.0840 [0.0804; 0.0876]

Number of studies: k = 15
Number of observations: o = 434385
Number of events: e = 41364

                     proportion           95%-CI
Random effects model     0.0944 [0.0836; 0.1066]

Quantifying heterogeneity (with 95%-CIs):
 tau^2 = 0.0558; tau = 0.2362; I^2 = 98.3% [97.9%; 98.7%]; H = 7.74 [6.92; 8.66]

Test of heterogeneity:
           Q d.f.  p-value
 Wald 838.21   14 < 0.0001
 LRT  826.87   14 < 0.0001

Details of meta-analysis methods:
- Random intercept logistic regression model
- Maximum-likelihood estimator for tau^2
- Calculation of I^2 based on Q
- Random effects confidence interval based on t-distribution (df = 14)
- Logit transformation
- Clopper-Pearson confidence interval for individual studies

A análise do output nos fornece os dados reais sobre a questão investigada:

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